Teste do pezinho

Na pediatria, cuidamos de bebês desde o nascimento. E um dos primeiríssimos cuidados que temos com os recém-nascidos são os testes de triagem neonatal, fundamentais para diagnosticar doenças precocemente. O mais tradicional é o teste do pezinho, que é muito importante para o diagnóstico de patologias metabólicas, genéticas e infecciosas.

O teste do pezinho foi estabelecido como exame de triagem neonatal obrigatório pelo Sistema Único de Saúde (SUS) há 30 anos. De lá para cá, o teste foi ganhando a companhia de outros exames que hoje compõem o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) – instituído pelo Ministério da Saúde em 2001.

Dentre os quatro exames de triagem neonatal do PNTN – pezinho, orelhinha, olhinho e coraçãozinho -, apenas no do pezinho há coleta de sangue.

Transição alimentar

 

O que é e para que serve?

O teste do pezinho é um exame de sangue feito em bebês. Por meio dele, são estudadas as características do sangue do recém-nascido com o objetivo de identificar sinais que apontem para riscos de desenvolvimento de doenças graves, inclusive na fase adulta.

Até junho deste ano, o SUS era obrigado a realizar o teste básico do pezinho, capaz de identificar seis tipos de doenças: as hemoglobinopatias, a fenilcetonúria, o hipotireoidismo congênito, a fibrose cística, a hiperplasia adrenal congênita (HAC) e a deficiência de biotinidase.

Contudo, devido a promulgação da Lei 14.154, a partir de junho deste ano o SUS deve realizar o teste ampliado do pezinho. Ele consegue detectar precocemente até 50 doenças raras.

Seja na versão básica ou ampliada, o teste do pezinho serve para que seja identificado, além de todas essas doenças, o traço falcêmico ou falciforme: uma alteração de um tipo de proteína do sangue. Pessoas com o traço falcêmico, ao invés de apresentarem a hemoglobina AA, apresentam a do tipo AS.

A simples existência do traço falcêmico não caracteriza que uma patologia será desenvolvida no futuro. Mas ele é um alerta: não é recomendado que o futuro adulto com traço falcêmico tenha filhos com uma pessoa que também tenha o traço. Por ser uma condição hereditária, duas pessoas com traço falcêmico podem gerar um filho muito propenso a desenvolver doença falciforme, a patologia genética mais predominante no Brasil e no mundo.

Na análise do sangue coletado no teste do pezinho, os laboratórios, dentre várias análises, vão verificar:

  • Defeito ou ausência da enzima fenilalanina hidroxilase
  • Baixa concentração dos hormônios tireoidianos T3 e T4
  • Elevada concentração do hormônio TSH
  • Característica da enzima pancreática tripsina

 

Teste do pezinho: procedimentos de coleta

O teste do pezinho tem este nome porque o sangue é coletado a partir do pé do recém-nascido, mais especificamente pelo calcanhar, uma região muito vascularizada no bebê. A punção é feita nas laterais do calcanhar para que a lanceta não atinja o osso.

O exame deve ser feito entre o terceiro e o quinto dia de vida, uma vez que o recém-nascido precisa já ter ingerido leite materno. São suas proteínas que exigem do organismo do bebê a produção da enzima fenilalanina hidroxilase, que é investigada pelo exame. Apenas recém-nascidos que vão precisar passar por transfusão de sangue pouco depois do parto devem fazer o teste do pezinho antes do terceiro dia de vida.

Após a punção, o sangue é coletado em papel-filtro especial. O responsável pela execução do teste irá descartar a(s) primeira(s) gota(s) de sangue. Ele verificará se o fluxo de sangue está adequado, uma vez que sangramento abundante pode prejudicar a futura análise.

Se a punção for realizada de forma correta, o sangue naturalmente formará gotas, sem que o responsável tenha que espremer ou “ordenhar” o calcanhar. Ele coletará a gota com o papel-filtro especial, fazendo movimentos circulares, sem deixar o sangue coagular no pé do bebê.

Os resultados do teste do pezinho geralmente demoram sete dias para ficarem prontos. Assim que concluídos, você deve levá-los à pediatra na próxima consulta de puericultura.

O teste do pezinho é de extrema importância para o diagnóstico precoce de doenças que podem se agravar no indivíduo adulto. Converse com a pediatra e com a médica ou médico responsável pelo parto para verificar se, no hospital onde ele irá acontecer, já está sendo feito o teste ampliado do pezinho. Caso ainda não seja e você consiga arcar com os custos, contrate o exame ampliado na rede particular. Um teste do pezinho mais completo é uma importante ferramenta para a saúde futura da sua pequenina ou pequenino!