Teste da orelhinha

Há pouco mais de dois meses publiquei aqui no site um texto sobre o teste do pezinho. Hoje vou falar sobre outro importante exame de triagem neonatal, o teste da orelhinha – que também faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), junto dos testes do olhinho, do coraçãozinho e do já citado teste do pezinho.

Nunca é demais lembrar que os testes de triagem neonatal possibilitam o diagnóstico precoce de várias doenças. Patologias diagnosticadas em fase pré-sintomática podem mudar completamente a história daquela doença e, consequentemente, do paciente. Todos os exames que estão no PNTN são obrigatórios. A lei que exige a realização do teste da orelhinha é a 12.303, sancionada no segundo governo Lula, em agosto de 2010. Por ser exigência legal, o teste da orelhinha é gratuito e está disponível em toda rede do Sistema Único de Saúde, o SUS. As instruções do Ministério da Saúde para a realização do teste da orelhinha encontram-se nas Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal.

Transição alimentar

 

O que é e para que serve?

O teste da orelhinha, também conhecido como triagem auditiva neonatal, consiste em introduzir delicadamente uma pequena sonda na orelhinha do recém-nascido, estando ele adormecido. Um aparelho posicionado muito próximo à orelhinha emite um estímulo sonoro que é captado pela sonda.

Este teste é conhecido como exame de emissões otoacústicas evocadas, também chamado pela sua sigla Eoae. É um teste moderno, simples, prático de realizar e que consegue identificar a capacidade auditiva do recém-nascido, inclusive se há algum nível de perda. O Eoae é o exame garantido pela Lei 12.303.

Quando o recém-nascido possui um dos Indicadores de Risco para Perda Auditiva (conhecidos pela sigla IRDA), é recomendado um outro exame, o de Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico, também chamado pela sua sigla Peate. Alguns dos IRDAs mais comuns são:

  • História familiar de surdez permanente na infância.
  • UTI neonatal por mais de cinco dias.
  • Hiperbilirrubinemia com exsanguineotransfusão – independente do tempo de UTI.
  • Asfixia ou encefalopatia hipóxico-isquêmica.
  • Uso de oxigenação extracorpórea
  • Infecções intra uterinas, seja por toxoplasmose, sífilis, rubéola, herpes ou Zika.
  • Malformações craniofaciais.
  • Microcefalia congênita.
  • Hidrocefalia congênita ou adquirida.
  • Anormalidades do osso temporal.

O Peate também costuma ser realizado quando há alguma alteração no Eoae e quer se verificar se foi um caso de falso positivo. O equipamento usado para a realização do Peate é composto por eletrodos de superfície que são colocados na testa e atrás da orelha do recém-nascido. É um exame um pouco mais demorado – chega a durar até 30 minutos – e pode causar leves incômodos no bebê. 

 

Teste da orelhinha: procedimentos

Como já dissemos neste texto, o teste da orelhinha consiste em introduzir uma sonda na orelha do bebê com ele adormecido. O procedimento é indolor e não causa nenhum desconforto ao recém-nascido.

O exame é realizado entre 48 e 72h após o nascimento da criança. Feito o teste, em aproximadamente 10 minutos a pediatra já terá o resultado. Caso seja identificada alguma alteração, o Eoae é repetido. Mantendo-se a alteração, é realizado o Peate. 

Não é incomum o teste da orelhinha identificar alguma alteração. Em muitos casos, isso se deve à presença de líquido amniótico no ouvido. Portanto, mesmo em situações que o Eoae e o Peate apontam alteração, é recomendável repetir os exames 30 dias após o primeiro teste.

Caso a primeira bateria de exames indique alguma alteração, a pediatra poderá acionar uma fonoaudióloga para analisar os resultados e iniciar as investigações de um hipotético diagnóstico de deficiência auditiva. Casos mais complexos irão demandar o envolvimento de um otorrinolaringologista.

Como os outros exames de triagem neonatal, o teste da orelhinha é fundamental para fazer o diagnóstico de doenças ou deficiências que podem ser tratadas precocemente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 34 milhões de crianças no mundo têm surdez ou algum tipo de perda auditiva, sendo que 60% dos casos são preveníveis. Portanto, não negligencie o teste da orelhinha e, se ele apontar alguma alteração, acione a pediatra!

"Auxiliar no crescimento e no desenvolvimento da criança de uma forma saudável é o meu propósito"

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