Broncopneumonia infantil

Estamos em pleno inverno e, como acontece todos os anos aqui no Sudeste do Brasil, a temperatura e a umidade relativa do ar caem. Em Sete Lagoas, a baixa umidade é ainda mais acentuada devido a peculiaridades da própria região. Essas condições climáticas são propícias para o surgimento e evolução de patologias frequentes das vias aéreas superiores e inferiores, como a broncopneumonia infantil.

Ela é apenas uma forma específica de como a infecção, característica da pneumonia infantil, se distribui no pulmão. Na broncopneumonia infantil o processo infeccioso começa pelos bronquíolos e brônquios para, a partir deles, se espalharem para os alvéolos adjacentes. Já no que é conhecido como pneumonia lobar típica, a infecção costuma acontecer em uma grande área do pulmão, normalmente em um lobo inteiro. Em outras palavras, broncopneumonia e pneumonia são a mesma doença, apenas com uma distribuição morfológica diferente nos pulmões.

No Brasil e no mundo, os dados sobre a pneumonia infantil mantêm nosso alerta ligado: infelizmente ela é uma das doenças que mais provoca mortes, tendo sido responsável, em 2019, por 14% dos óbitos de crianças no mundo. No Brasil os dados são menos desanimadores: cerca de 5% das crianças morrem devido à pneumonia infantil.

Neste texto vamos detalhar a broncopneumonia infantil e destacar os pontos de atenção que pais e cuidadores devem se ater para prevenir infecções de suas filhas e filhos.

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Causas, transmissão e sintomas

Conforme já expliquei, a broncopneumonia infantil é um tipo de pneumonia. Sendo assim, a causa é a mesma: microrganismos que alcançam as vias aéreas superiores.

Dois grupos de agentes etiológicos estão entre os principais causadores: bactérias e vírus. Dentre estes, os que mais comumente provocam a broncopneumonia infantil são o Vírus Sincicial Respiratório e os subtipos B e A do Influenza, o vírus da gripe. Já entre as bactérias, a principal responsável é a Streptococcus pneumoniae. Nunca é demais lembrar que a infecção pode começar com um vírus e evoluir para um quadro bacteriano, mais grave.

A transmissão dos vírus normalmente se dá pelo ar: uma pessoa ao espirrar, tossir ou falar expele secreções contaminadas. Ao inalar essas secreções, a criança pode se infectar. Já em relação às bactérias, elas vivem em vias aéreas superiores de indivíduos saudáveis. Se uma criança estiver vivenciando uma fase de baixa imunidade e absorver sua própria saliva ou secreções contaminadas, ou as de uma pessoa que tem a bactéria, esta pode conseguir vencer a barreira imunológica e alcançar o tecido pulmonar, provocando as doenças.

Os principais sintomas da broncopneumonia infantil são:

  • Primeira fase:
    • Mal estar
    • Letargia
    • Febre baixa
    • Tosse
  • Segunda fase:
    • Dor torácica ou abdominal
    • Febre alta
    • Calafrios
    • Respiração superficial
    • Dificuldade respiratória grave

 

Broncopneumonia infantil: diagnóstico, prevenção e tratamento

O diagnóstico começa com a análise clínica da pediatra. Ela vai identificar o padrão respiratório da criança por meio de ausculta pulmonar. Se houver suspeita de pneumonia infantil, a pediatra poderá recomendar exames. O mais tradicional para esses casos é a radiografia de tórax; por meio dela, é possível identificar agravamentos, como derrame pleural. É também por meio do raio-X que é possível identificar se a distribuição da infecção assemelha-se ao padrão da broncopneumonia infantil.

A melhor forma de proteger sua filha ou filho da doença é estar em dia com as vacinas. No Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde há diferentes imunizantes que ajudam na prevenção contra a broncopneumonia infantil. A principal é a pneumocócica 20-valente (VPC20) que é administrada em três doses, sendo que a terceira é de reforço. As duas primeiras são dadas aos dois e quatro meses de idade e o reforço quando o bebê completa um ano.

Outras vacinas importantes são a pentavalente – que também imuniza contra a coqueluche -, a tríplice viral, a contra Influenza e a vacina contra Covid para crianças. Todas estão no Programa Nacional de Imunização. Nunca é demais lembrar que quaisquer patologias frequentes das vias aéreas inferiores e superiores podem evoluir para outras. Sendo assim, ao vacinar sua filha ou filho contra qualquer patologia de vias aéreas, você estará aumentando a prevenção contra a broncopneumonia infantil.

Quando ela é diagnosticada, a pediatra recomendará o tratamento mais adequado de acordo com o tipo de patógeno causador e a severidade do quadro. Casos brandos de broncopneumonia infantil provocadas por vírus geralmente são tratados com repouso, administração de líquidos e, eventualmente, inalações, para ajudar na respiração. Já em casos de infecção bacteriana, a pediatra poderá receitar antibióticos. E nunca é demais lembrar: nenhum remédio deve ser administrado sem consultá-la previamente.

A broncopneumonia infantil pode alcançar níveis de gravidade que demandam internação, administração intravenosa de antibiótico e o uso de equipamentos para auxiliar na respiração da criança. A melhor forma de diminuir os riscos da sua filha ou filho enfrentarem uma situação dessas é manter em dia as vacinas e as consultas de puericultura. Assim, aos menores sinais de problemas respiratórios, a pediatra poderá tratar a criança para que o quadro não evolua para patologias graves.

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