UTI neonatal
Com seis meses de gravidez completos, a mãe deve levar seu bebê, ainda na barriga, para a primeira visita à pediatra, a consulta pediátrica pré-natal. Um dos seus principais objetivos é identificar possíveis intercorrências pré-natal que, após o parto, podem exigir internação em uma UTI neonatal.
As Unidades de Terapia Intensiva Neonatal, conhecidas pela sigla Utin, são setores hospitalares especializados em prover cuidados médicos e suporte vital a recém-nascidos que apresentam alguma complicação médica severa ao nascer.
São muitos os cenários que podem levar um recém-nascido a uma internação em UTI neonatal e eles não são exclusivos de bebês prematuros ou que tiveram intercorrências pré-natal identificadas. Apesar da prematuridade ser uma condição que coloca o recém-nascido numa condição mais frágil, há outros cenários que podem provocar uma internação em Utin. Em outras palavras, nem todo bebê prematuro vai precisar de internação em UTI neonatal e nascer no tempo correto não garante que o recém-nascido não necessitará passar um período em Utin.
Uma Utin em detalhes
Antes de detalhá-las, é importante deixar claro o que uma Utin não é. UTIs neonatais são semelhantes mas diferentes da Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal, a Ucin. Esta atende recém-nascidos de médio risco, que já estão estabilizados. As Ucins frequentemente recebem bebês que passaram por uma UTI neonatal e evoluíram em seus quadros. Contudo, há algumas condições que demandam encaminhamento temporário a uma Ucin. A mais recorrente é a de recém-nascidos com icterícia neonatal.
Falando propriamente das Unidades de Terapia Intensiva Neonatais, elas são espaços criados e mantidos a partir de um critério preponderante: a complexidade e fragilidade de bebês que nasceram com alguma má formação, síndrome, patologia ou um nível de imaturidade fisiológica o deixam suscetíveis a diversas complicações, a ponto de exigir atenção médica especializada.
Utins são ambientes altamente controlados e possuem equipamentos que possibilitam monitoramento constante e intensivo de recém-nascidos, com o objetivo de detectar qualquer alteração em seus quadros clínicos, possibilitando assim uma pronta resposta.
A estruturação de uma UTI neonatal é determinada por legislação, mais especificamente a portaria do 930 do Ministério da Saúde, de 10 de maio de 2012. Utins devem estar equipadas com ventiladores mecânicos, que promovam respiração por aparelhos ao recém-nascido. Além disso, elas tem controle de ruído, iluminação e climatização, disponibilidade de drogas vasoativas, incubadoras de parede dupla e uma equipe multidisciplinar dedicada.
UTI neonatal: em que cenários ela é necessária?
No início deste texto, disse que nascer no tempo correto não garante que o recém-nascido não passará por uma Utin e nem todo bebê prematuro precisará. Contudo, a maioria dos casos de internação em UTI neonatal é sim de prematuros.
A principal consequência clínica da prematuridade que indica uma internação em Utin é a síndrome do desconforto respiratório. Ela é causada pela imaturidade pulmonar do recém-nascido e muitas vezes exigirá que o bebê seja intubado.
Intercorrências pré-natal, mais especificamente as malformações, também estão entre as condições que mais provocam internações em UTIs neonatal. Muitas delas são corrigidas apenas com cirurgias. Assim, é comum os bebês ficarem nas Utins enquanto aguardam o procedimento.
Por fim, há uma série de situações que podem ocorrer no parto ou no próprio ambiente hospitalar que exigem internação em UTI neonatal. As mais recorrente são as sepses neonatais, infecções generalizadas bacterianas graves.
A necessidade de internação em Utin indica que o recém-nascido enfrenta um quadro delicado. Contudo, na tentativa de tranquilizar papais e mamães, vamos aos dados: aproximadamente 7% dos recém-nascidos no mundo passam por UTIs neonatais e as taxas do Brasil estão em linha com as do resto do globo. E apesar de não existirem artigos que compilam dados em grandes volumes, estudos pontuais apontam que, dentre os casos menos graves de internações em Utins, a taxa de sobrevida dos bebês supera os 90%.
Nos cuidados com o recém-nascido e, principalmente, antes mesmo dele nascer, uma das principais contribuições da pediatria é na prevenção. Nunca é demais lembrar a importância da consulta pediátrica pré-natal, uma vez que é por meio dela que identificamos possíveis intercorrências pré-natal e, a partir de então, planejamos seu acompanhamento e tratamento.
A atuação conjunta da pediatra com a obstetrícia é fundamental para conduzir uma gravidez mais delicada, preparando mãe e bebê para os primeiros dias após o nascimento. Em conjunto, médicos e família poderão, inclusive, mapear quais maternidades estão mais preparadas para fazer aquele parto, se já estiver mapeado um risco alto de internação em UTI neonatal.
Converse com a obstetra e a pediatra que a acompanha para que vocês, conjuntamente, planejem o parto e os cuidados iniciais do recém-nascido. Fazendo a devida prevenção, aumenta-se bastante as chances da criança ter uma infância saudável e sem sequelas de um hipotético período em Utin.
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