Rotina alimentar e volta às aulas
Além do carnaval, fevereiro marca a volta às aulas de crianças e adolescentes. Para os mais pequeninos que estão entrando na fase escolar, a mudança na dinâmica do dia a dia é bastante significativa, especialmente no que se refere à alimentação. Para que a rotina alimentar e volta às aulas funcionem bem, vale prestar atenção nas observações e dicas deste texto!
No Brasil, crianças a partir dos dois ou três anos de idade já começam a frequentar a escola, pelo menos por meio período, sendo que a partir dos quatro anos é obrigatório que elas estejam matriculadas. O início da fase escolar gera uma grande modificação no dia a dia da criança, principalmente no sono e na nutrição.
Nunca é demais lembrar da importância e da duração do sono na infância. O sono do bebê entre um e dois anos deve consumir aproximadamente 12h30 do dia, sendo que quase todo ele deve ser noturno – também por isso é muito importante ficar atento à janela de sono do bebê.
A partir dos três anos o tempo de sono recomendado reduz um pouco, para aproximadamente 11h30 do dia. Nessa fase, as sonecas diurnas começam a ficar raras. É por causa delas e dos horários das refeições que a rotina alimentar e volta às aulas devem estar bem sincronizadas.
O horário da escola
Pais de crianças com idade entre dois e três, aquelas que vão iniciar a jornada escolar neste ano, podem escolher matricular seus filhos em escolas com turno parcial – matutino, vespertino – ou integral. Do ponto de vista da saúde da criança, não há um período melhor que o outro. Deve ser escolhido o que está mais adequado à realidade da família.
Contudo, após a escolha, cabem algumas observações. Se for escolhido o período matutino ou integral, ou seja, se a criança precisa chegar cedo na escola, sua rotina em casa deverá ser regulada de acordo com os novos horários. Dado que é importante que elas durmam entre 11h e 12h por dia e ao longo de toda a noite, as crianças devem ir deitar até as 20h. Assim elas podem dormir até por volta de 6h30 sem serem abruptamente acordadas. Além disso, ao acordar com o dia claro, a criança começa a regular o seu ciclo circadiano – o relógio biológico.
Caso a criança só tenha aula à tarde, o horário de ir dormir pode chegar até 21h, permitindo à criança acordar após as 7h. Independente de quanto tempo e de que horas a criança vai entrar, ela pode fazer sonecas na escola.
Com dois anos de idade, as crianças já não estão em transição alimentar. Entretanto, rotinas introduzidas nessa fase devem permanecer, para que sejam formados os hábitos alimentares das crianças. Uma delas é a de fazer as refeições com a família, e isso independe se as crianças vão estudar em período integral ou só à tarde. No caso de pais ou cuidadores que trabalham o dia inteiro e tem que deixar a criança durante boa parte do dia na escola, é fundamental que o café da manhã e o jantar sejam feitos em família, com todos sentados à mesa.
Rotina alimentar e volta às aulas: frequência de refeições e alimentos
Independente da rotina alimentar na volta às aulas, ou seja, independente do horário que a criança entra na escola e quanto tempo ela passará lá, pais e cuidadores devem escolher o que suas filhas e filhos vão comer. Se todas as refeições forem preparadas na escola, é fundamental que os responsáveis conversem com a coordenação pedagógica para saber o que vai ser servido.
Em maio de 2020, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) – autarquia federal ligada ao Ministério da Educação – atualizou a resolução que dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica. O documento estabelece quais são os percentuais mínimos obrigatórios de atendimento a necessidades nutricionais por parte das escolas públicas, sejam elas de período parcial ou integral. Além disso, ela define quantidades limites de certos ingredientes. Mesmo que seja voltado para escolas públicas, o documento serve como referência para que pais e cuidadores conversem com a direção da escola da sua filha ou filho.
Do ponto de vista de nutrição, é recomendado que crianças façam pelo menos cinco refeições: café da manhã, lanche matutino, almoço, lanche vespertino e jantar. Considerando que café da manhã e jantar serão feitos em casa, vamos às observações sobre os lanches – especialmente se eles forem preparados pelos pais e cuidadores – e sobre o almoço.
- Lanches → devem ser compostos por um alimento proteico, um energético e um regulador. As opções são:
- Proteico: leite, iogurte natural, queijo ou uma preparação com ovos ou carne, como pequeno um sanduíche
- Energético: pão de sal ou caseiro, biscoito de polvilho sem gordura hidrogenada, bolo simples sem cobertura, cereais e até raízes, como batata doce cozida
- Regulador: fruta, que não deve ser substituída pelo suco dela. A fruta deve ser comida.
- Almoço → devem ser compostos por cereais e/ou tubérculos, leguminosas, carnes ou ovos, legumes e verduras. As opções são:
- Cereais ou tubérculos → Arroz, milho, batata, mandioca ou macarrão, preferencialmente integral
- Leguminosas → Feijão, lentilha ou grão-de-bico
- Carnes ou ovos → À exceção das ultraprocessadas (presunto, salsicha) e das que possuem preparos específicos, como carne de sol, qualquer carne é bem vinda: bovina, suína, aves, peixes ou preparo com ovos, como omeletes e ovos mexidos.
- Legumes → Todos são bem-vindos: abobrinha, abóbora, berinjela, chuchu, cenoura, beterraba…
- Verduras → Todas também são bem-vindas: alface, couve, bertalha, rúcula, mostarda, acelga, agrião…
Escola, alimentação e desenvolvimento neuropsicomotor estão intimamente conectados. A jornada escolar que inicia-se com dois ou três anos de idade vai ser concluída, na melhor das hipóteses, com 22. Ao cuidar da rotina alimentar da sua filha ou filho para o início ou volta às aulas, você está ampliando suas capacidades de aprender mais na escola!
Se sua pequena ou pequeno tem restrições alimentares, alergias ou se você quer tirar dúvidas sobre como organizar as refeições, faça contato e agende uma consulta! Vamos aproveitar e falar sobre as patologias frequentes que normalmente acometem as crianças a partir da interação com os coleguinhas da escola!
Acesse outros textos sobre o mesmo tema
Mamadeira: recomendações da pediatra
Mesmo passados os primeiros seis meses, fase do aleitamento materno exclusivo, o uso de mamadeira não é recomendado.
Microplásticos e seus impactos na saúde infantil
O excesso de plástico no planeta tem gerado um tipo de poluente, os microplásticos, que podem provocar condições sérias de saúde em crianças.
Produtos infantis sem disruptores endócrinos
Com o intuito de ajudar pais a escolher um produto para seu filho, falei sobre produtos infantis sem disruptores endócrinos.